Design Thinking para Desenvolvedores

A revolução digital transformou para sempre diversas áreas do mercado, incluindo a do desenvolvimento de soluções. Nesse cenário, o Design Thinking surge como um importante aliado do desenvolvedor para engajar o novo de tipo de usuário, que é mais conectado, mais digitalmente consciente e possui expectativas mais altas.

O primeiro passo para entender de que forma o Design Thinking pode ajudar o desenvolvedor é se aprofundando no seu conceito, particularidades e de que forma ele pode ser aplicado.


O que é Design Thinking

O Design Thinking não é apenas uma ferramenta, mas uma metodologia que tem por objetivo oferecer novas soluções indo além do fluxo tradicional problema-solução. Ele propõe uma abordagem diferente para as questões, que envolve capacidades emocionalmente significativas, como a intuição, a capacidade de perceber padrões e a construção de ideias.

Numa tradução bem livre, o Design Thinking poderia ser traduzido como “Pensamento de Design” – o design, nesse caso, se refere ao designer, que na sua profissão tenta encontrar soluções ao mesmo tempo inovadoras, criativas e otimizadas. Assim, ter um DT é encontrar respostas que mantenham essas qualidades ou, como se diz popularmente, “fora da caixa”.

No Design Thinking, a visão de mundo, as vivências e experiências de cada pessoa são consideradas para que se tenha um panorama mais completo da solução de problemas e ideias realmente inovadoras sejam encontradas. É uma abordagem mais humana, com foco na real necessidade das pessoas.

Criatividade x Conservadorismo

A perspectiva de lidar com soluções nunca imaginadas antes e oferecer respostas fora do padrão para os mais diversos tipos de problema é o que move o Design Thinking. Desenvolvedores que pretendem seguir por esse caminho devem estar preparados para enfrentar alguma resistência e a responder muitos a questionamentos durante o processo.

O fato é que tudo que é novo causa estranhamento e no mercado profissional a tendência é sempre apostar no que é mais seguro – ou seja, o que já foi testado e funcionou anteriormente. Mas a verdadeira inovação não vem da simples repetição de métodos antigos e quem se dedica e consegue oferecer algo novo e surpreendente, é recompensado pelo reconhecimento dos clientes.

O processo de Design Thinking

Apesar de ser considerado uma metodologia, é muito importante destacar que o Design Thinking não é um sistema de passo a passo que deve ser seguido em uma ordem específica. Mais do que qualquer coisa, ele é um sistema de ideias, que propõe uma forma de analisar os problemas sob um novo ângulo para encontrar soluções inovadoras.

Mesmo assim, o processo de aplicação do DT costuma ser dividido em etapas, cada uma com um método específico. A maioria dos especialistas considera cinco etapas, mas é comum encontrar literaturas que falem em quatro ou três, apresentando etapas mais condensadas. É importante notar, contudo, que essas etapas são não-lineares, ou seja, não precisam – e nem devem – ser seguidas em uma sequência de fase. Na verdade, elas coexistem e podem ser adaptadas dependendo do projeto em questão.

1. Descoberta

É a delimitação do problema que deve ser solucionado. Nessa etapa, o foco deve ser o autoconhecimento e o conhecimento da área que o projeto abrange. É importante que todos os desenvolvedores da equipe tenham acesso às mesmas informações, para que tenham uma visão detalhada do problema. Diversas ferramentas podem ajudar nesse ponto, como a criação de personas, benchmarking e análise SWOT.

2. Ideação

Nessa fase acontece o processo conhecido como “brainstorm” – ou “chuva de ideias”, numa tradução literal. É quando os envolvidos no projeto revelam seus insights e sugerem ideias para resolver o problema. Para que o processo aconteça da maneira como deveria e forneça soluções realmente inovadoras, é importante que nenhuma ideia seja julgada ou descartada. Mesmo que a sugestão seja impraticável ou pareça absurda, ela pode contribuir com a criação de novas conexões que ajudem a chegar na grande ideia pretendida.

3. Prototipagem

A próxima etapa do Design Thinking é a prototipagem, a hora de experimentar e aprender. É nessa fase que as ideias geradas são validadas, através da experimentação, quando elas deixam de ser apenas ideias e passam para o físico. O grande objetivo dessa etapa não é apresentar a ideia pronta, mas sim descobrir. Descobrir o que funciona e o que não funciona. A prototipagem pode acontecer em paralelo com as outras fases, testando cada ideia conforme elas forem surgindo.

4. Teste

Esse é o momento em que o usuário faz o teste das solução prototipadas. Ele deve ter liberdade para explorar o protótipo de todas as formas possíveis, afinal, é com base nas suas observações que será possível identificar o que realmente funciona o que precisa ser alterado. Esse feedback é essencial para a evolução do projeto e deve prosseguir com novos usuários, para que o ciclo de retornos seja renovado.

5. Entrega

O último passo no processo de Design Thinking é o entregável, ou seja, o resultado do projeto que será entregue ao cliente. Depois que todas as adaptações já foram feitas e as informações coletadas, a equipe deve concretizar sua solução. Nesse ponto, tanto o usuário inicial quanto o expert podem lidar com o entregável e, assim, fornecer novos pontos de vista, que vão contribuir para a evolução do produto.

Design Thinking para Desenvolvedores: o papel da empatia

Quando falamos em Design Thinking para desenvolvedores, alguns especialistas tem destacado a empatia como o grande motivo por trás do seu sucesso. Mas como ela pode ser relevante para os desenvolvedores e como ela impacta todo o processo?

A empatia é a nossa capacidade de se relacionar com emoções, opiniões e sentimentos de outras pessoas. E o papel do desenvolvedor é justamente fornecer soluções para os problemas do usuário, que tem níveis de compreensão, necessidades, dificuldades e vivências bem diferentes das dele.

Assim, é importante não apenas estudar o usuário a fundo, mas também entendê-lo. É fundamental que o desenvolvedor seja capaz de se colocar no lugar das pessoas que vão utilizar suas soluções, pois isso vai ajudar diretamente na descoberta de novos insights, novas ideias e contribuir para resultados realmente inovadores.

Numa época em que as soluções digitais já fazem parte do dia a dia das pessoas, o Design Thinking mostra que a saída para alcançar soluções realmente inovadoras não reside necessariamente em nenhuma nova tecnologia ou máquina avançada, mas na nossa própria capacidade de compreender os sentimentos e necessidades dos usuários. Quanto mais as tecnologias evoluem, mais precisamos ser humanos para acompanhá-las.

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