Storydoing: a estratégia de comunicação que bota a mão na massa.

Criar uma conexão verdadeira com seu público é uma tarefa difícil pra qualquer marca. Além da concorrência cada vez mais acirrada, as novas formas de comunicação surgidas com a internet e os smartphones mudaram completamente as relações marca-consumidor.

Hoje, não basta apenas mostrar seu nome no horário nobre com uma música-tema chiclete. O consumidor do século XXI é bem informado, exigente e quer ser ouvido. É preciso engajar. Por isso, as empresas têm investido cada vez mais em recursos que envolvem o espectador e o tornam parte do processo. E é aí que entra o storydoing.

Como tudo começou: storytelling

Para entender o que significa storydoing, é preciso antes saber o que significa storytelling. Qualquer pessoa que já estudou as estratégias por trás da comunicação das empresas nos dias de hoje deve ter se deparado com o termo. Como o próprio nome sugere, trata-se de um recurso que utiliza a narração de histórias para criar um laço mais duradouro com o seu público e aumentar seu engajamento.

Um bom exemplo de storytelling é a campanha “Despedida da Kombi”, da agência AlmpaBBDO pra Volkswagen. Com as mudanças na legislação, o popular veículo deixaria de ser produzido. Ao invés de simplesmente parar as máquinas, a Volkswagen decidiu investir numa despedida grandiosa, que contou a trajetória da Kombi através de histórias de milhares de fãs do Brasil todo, e marcou emocionou seu público.

E o que significado storydoing?

O storydoing é como um passo adiante no conceito de storytelling: ele aumenta ainda mais a participação da marca no processo de comunicação com o consumidor, incluindo o elemento da ação. O termo foi criado por Ty Montague, estrategista e criador de uma empresa de consultoria que realizou uma pesquisa e escreveu um livro sobre o assunto.

O case da Tom Shoes

Um dos exemplos mais lembrados quando se fala em storydoing é o da Tom Shoes, empresa de calçados norte-americana. Quando seu fundador, Blake Mycoskie visitou a Argentina, reparou no grande número de crianças pobres que não tinham dinheiro pra comprar um calçado.

Ao estudar o processo de produção das alpargatas (populares no local visitado por Blake), ele percebeu que existiam muitas sobras no processo. Sobras suficientes, inclusive, pra produzir mais pares de sapato. Assim, ele criou a Tom Shoes com uma premissa calcada no storydoing: para cada par vendido, outro seria doado a uma criança carente ao redor do mundo.

Assim, a empresa praticamente não investe em propaganda. Sua boa ação inovadora fala por si. Assim, os próprios consumidores tratam de gerar mídia espontânea pra marca, pois acreditam de verdade nela.

Aplicação do conceito de storydoing

A lição da Tom Shoes mostra que os consumidores estão dispostos a abraçar marcas que de fato façam alguma coisa além de apenas ficar no discurso. A doação de sapatos para crianças carentes é uma atitude nobre, que destoa da visão que as pessoas têm do mercado, geralmente mesquinho e ganancioso. Isso cria uma ligação genuína com as pessoas, pois, quando compram um calçado da empresa, fazem parte do processo. De quebra, ainda fortalece a relação com os colaboradores – de acordo com o pesquisador Adam Grant, eles ficam até 300% mais produtivos.

Como aplicar na sua empresa

Antes de tudo, é bom frisar que o storydoing não se resume ao campo social. Ele engloba qualquer ação que sirva pra mostrar que a empresa está cumprindo sua missão. Tome por exemplo a Red Bull, que com a criação da empresa Red Bull Media, em 2007, vem criando e propagando conteúdos de alta qualidade para o seu público.

O primeiro passo é entender o que você deve oferecer. Tenha em mente o que você promete aos seus consumidores, saiba o que eles esperam de você e planeje ações para tornar essa entrega realidade. Se você for honesto e bem-intencionado, pode ter certeza que será recompensado na forma de uma audiência fiel e engajada.

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